quarta-feira, junho 11


Amor é bicho instruído
Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.

Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.

Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

drummond

Direção do Sol...




Paulo Roberto Gaefke




Tome a tua vida em tuas mãos,
e não entregue a direção dela a ninguém.
Por mais que te amem, por mais que desejem, o teu bem,
só você é capaz de sentir o que realmente sente,
e aquilo que você passa de impressão para os outros,
nem sempre corresponde ao que vai na sua alma.

Quantas vezes você já sorriu
para disfarçar uma lágrima teimosa?
Quantas vezes quis gritar e sufocou o pranto?
Quantas vezes quis sair correndo de algum lugar
e ficou por educação, respeito ou medo?
Quantas vezes desejou apenas um beijo,
e ficou com a boca seca esperando o que não veio?
Quantas vezes tudo o que você desejou era apenas um abraço.
um consolo, uma palavra amiga e só recebeu ingratidão?

Quantos passos foram necessários
para chegar até onde você chegou?
Quantos sabem dar o valor que você realmente merece?

Criticar é fácil, mas usar o seu sapato ninguém quer,
vestir as suas dores ninguém quer,
saber dos seus problemas, só se for por curiosidade,
por isso, não entregue a sua vida nas mãos de ninguém,
nada de acreditar que sem essa ou aquela pessoa,
você não vai viver...
Vai viver sim, o mundo continua girando,
e se você deixar, pode te trazer algo muito melhor.

Pegue a direção da sua vida e aponte rumo ao Sul,
lá onde a placa diz "CAMINHO DO SOL",
bem na curva da felicidade, que te espera
sem pressa, para viver com amor e intensidade,
a paz, a harmonia e a felicidade...

terça-feira, junho 10


E você bebeu o gole
da posse
Porque sou tua, inteira
Porque me tens, assim
Porque me toca, pluma ...e faz - me esqueçer
De tontas aventuras...
Me abro pra você
Desabrocho pétalas afin...sorrio
E você sorriu o que é teu
Vislumbrou da tua vitória
Sim, despejou tuas fantasias
Por sobre meu corpo
Lambeu a tua pele ...
Olhou meu corpo nu...entrelaçou por sobre teus sabores
E os meus ...misturados
E no calor, faz-me sonhar
Excitar, alguma outra coisa
Que não pode ser deste mundo
Você é minha alma noutra história

Os Três Mal-Amados.

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço.

O amor comeu meus cartões de visita.

O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. O
amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas.

O amor comeu metros e metros de gravatas.

O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus.

O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas.
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X.

Comeu meus testes mentais, meus exames de urina. O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia.
Comeu em meus livros de prosa as citações em verso.

Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos. Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina. O amor comeu as frutas postas sobre a mesa.
Bebeu a água dos copos e das quartinhas.

Comeu o pão de propósito escondido.

Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água. O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome. O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas.
O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras.

Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel. O amor comeu meu Estado e minha cidade.
Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré.

Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.

Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia.

Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso. O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas.
Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam.

Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta.

Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala. O amor comeu minha paz e minha guerra.
Meu dia e minha noite.

Meu inverno e meu verão.

Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto

Se eu fose eu - Clarice Lispector
"Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.
E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente pasavem a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.
Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu, e confiaria o futuro ao futuro.
"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova do desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas a primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais."

A perfeição - Clarice Lispector

O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.

O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.

Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.

O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.

Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.

pra eu nunca esquecer...

a raiva não é racional.

O amor está nos olhos de quem vê
A paixão está na carne de quem treme
O medo está no corpo que arrepia
A satisfação está na boca que geme

Um mistério ... Ou todos
Vivemos todos esses segredos
Não desejo viver amores mornos
Que não mexa com meus desejos

Sonho com o mundo
Dentro do meu peito
Desejo todo esse mundo
Como um grande feito

Mas estou renascendo agora
Reaprendendo a sentir
Amor, dor, choro e glória
Meu sorriso está a se restituir

Não há garantias.
Do ponto de vista do medo, ninguém é forte o suficiente.
Do ponto de vista do amor, ninguém é necessário.

Immanuel Kant

O amor e a razão são dois viajantes,
que nunca vivem juntos na mesma hospedaria:
quando um chega, parte o outro.

Walter Scott

segunda-feira, junho 9


É tolo quem se quer opor ao amor,
como se pudesse lutar com ele.

Sófocles

Deixa que eu te ame em silêncio
Não pergunte, não se explique, deixe
que nossas línguas se toquem, e as bocas
e a pele falem seus líquidos desejos.
Deixa que eu te ame sem palavras
a não ser aquelas que na lembrança ficarão
pulsando para sempre
como se o amor e a vida
fosse um discurso
de impronunciáveis emoções.

Affonso Romano de Sant´Anna

Meu bem, você me dá água na boca, vestindo fantasias, tirando a roupa,
molhada de suor, de tanto a gente se beijar, de tanto imaginar loucuras.
A gente faz amor por telepatia, no chão, no mar, na lua, na melodia,
mania de você, de tanto a gente se beijar, de tanto imaginar loucuras.
Nada melhor do não fazer nada, só para deitar e rolar com você" ...

CHORO BANDIDO
Chico Buarque - Edu Lobo

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu, serão bonitas,
Não importa, são bonitas as canções...
Mesmo miseráveis os poetas, os seus versos serão bons,
Mesmo porque as notas eram surdas quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira que animou todos os sons...
E daí nasceram as baladas e os arroubos de bandidos como eu cantando assim:
Você nasceu pra mim...
Você nasceu pra mim...
Mesmo que você feche os ouvidos e as janelas do vestido,
Minha musa, vai cair em tentação,
Mesmo porque estou falando grego com sua imaginação...
Mesmo que você fuja de mim por labirintos e alçapões,
Saiba que os poetas, como os cegos, podem ver na escuridão...
E eis que, menos sábios do que antes,
Os seus lábios ofegantes hão de se entregar assim:
Me leve até o fim,
Me leve até o fim...
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso,
São bonitas, não importa, são bonitas as canções...
Mesmo sendo errados os amantes, seus amores serão bons...

TRECHO DO LIVRO
UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES
de Clarice Lispector



Mas olhe todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer 'pelo menos não fui um tolo' e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.

Quem sou eu

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...sou uma mulher como todas do planeta, que merece amar e ser amada.

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