quinta-feira, junho 26

adorei...


Querer
(Pablo Neruda)

Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.

Amanhecer (Ivone Boechat)

Levanta a cortina dos teus olhos
Contempla a maravilha do amanhecer
A vida é uma criança,
esperta, bonita, inteligente
Passa correndo, é preciso ver
Acredita, enquanto há tempo:
não existe dor sem alento
nem tristeza tão longe da alegria
quando a luz de cada dia,
acende a vida,
iluminando o amanhecer
Não vacila, toma posse
da imensa alegria de viver.

quarta-feira, junho 25


Pior que o amor perdido
é o amor que não foi dado
e tudo o que não foi gasto
no tempo que era devido.

Valter da Rosa Borges

Canteiros
(Música do Fagner baseada na obra de Cecília Meireles)

Quando penso em você fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa, menos a felicidade
Correm os meus dedos longos em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego já me traz contentamento
Pode ser até manhã, cedo claro feito dia
mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Eu só queria ter no mato um gosto de framboesa
Para correr entre os canteiros e esconder minha tristeza
Que eu ainda sou bem moço para tanta tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da vida,
Pois se não chega a morte ou coisa parecida
E nos arrasta moço, sem ter visto a vida.

Saudade (
Adelaide (Yde) Schloenbach Blumenschein)

A saudade é uma andorinha,
mas uma andorinha estranha:
quando, num peito se aninha,
as outras não acompanha…
Saudade – coisa que a gente
não explica nem traduz;
faz do passado, presente,
e traz sombras, sendo luz…
Saudade – febre que a gente
sem querer, pode apanhar,
nunca mata de repente,
vai matando, devagar…
Saudade – a princípio é pena
que nos deixa uma partida;
depois é dor que condena
a morrer dentro da vida…
se é triste sentir saudade,
muita saudade de alguém,
maior infelicidade
é não tê-la de ninguém.

Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.

Khali Gibran

terça-feira, junho 24


Lembranças
(Rafael Simões Frieling)

Que eu conheça a tristeza
pois só assim saberei quando encontrar
a verdadeira felicidade
Que a mentira seja usada contra mim
para que possa guardar para sempre
o valor da palavra "verdade"
Que eu ouça sua voz ao menos uma última vez
pois ela será como música
companheira de minhas noites em claro, sofrendo a infelicidade
Que sinta seu cheiro novamente
para me embriagar em lembranças felizes
recordar de quando éramos únicos, singularidade
Que possa tocá-la novamente
sentir sua pele, seu calor
e mais uma vez me acalmar com carinho e tranqüilidade
Que possa provar ao menos um último beijo
aquecer meu coração agora solitário
e guardar em minha alma o gosto do amor, pela eternidade

Escrevo-te (Vyrena)

Escrevo-te
ancorada na saudade,
sob o riso irônico
da ausência,
para contar-te de minha solidão
e da vontade insana
de teus beijos!

Escrevo-te
perdida no redemoinho
das lembranças
de nossos encontros fortúitos
com sabor de pecado!

Escrevo-te
para dizer-te do tamanho
do desejo
de estar contigo outra vez,
em teus braços,
transfomada em prazer!

Escrevo-te
para repetir mais uma vez
que te amo... te amo... te amo
e que sem ti não sou nada,
sem tua presença,
sou menos que ninguém!

Escrevo-te
para falar-te da luz
da esperança,
de que um dia,
seremos nós dois
outra vez!

segunda-feira, junho 23


Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor.

William Shakespeare

pensei que fosse oceano;
era só um aquário.

pensei que fosse paris;
eram os 20 watts de uma lâmpada
no canto do cenário.

pensei que fosse mozart;
eram os acordes imperfeitos
de um jingle ordinário.

pensei que fosse o pecado maior;
era o mea-culpa
de um réu-primário...

pensei que fosse você...
mas era apenas o sol.

MARCOS CAIADO

Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza.

Pablo Neruda

Dentro de Mim Mora um Anjo
(Cacáso - Antônio Carlos de Brito)

Quem me vê assim cantando
não sabe nada de mim
dentro de mim mora um anjo
que tem a boca pintada
que tem as asas pintadas
que tem as unhas pintadas
que passa horas a fio
no espelho do toucador
dentro de mim mora um anjo
que me sufoca de amor

Dentro de mim mora um anjo
montado sobre um cavalo
que ele sangra de espora
ele é meu lado de dentro
eu sou seu lado de fora
Quem me vê assim cantando
não sabe nada de mim

Dentro de mim mora um anjo
que arrasta as suas medalhas
e que batuca pandeiro
que me prendeu nos seus laços
mas que é meu prisioneiro
acho que é colombina
acho que é bailarina
acho que é brasileiro.

Mar e Amor
(Cacáso - Antônio Carlos de Brito)

Amor Amor
Quando o mar
Quando o mar tem mais segredo
Não é quando ele se agita
Não é quando é tempestade
Nem é quando é ventania
Quando o amor tem mais segredo
É quando é calmaria
Quando o amor
Quando o amor tem mais perigo
Não é quando ele se arrisca
Não é quando ele se ausenta
Nem quando eu me desespero
Quando o amor tem mais perigo
É quando ele é mais sincero

Aprende-se a viver com isto. Como um defeito de nascença, uma doença crónica, uma carência vitamínica ou um incómodo sazonal (um pé boto, um lábio leporino, uma febre dos fenos). Aprende-se, como uma erupção cutânea, a vista cansada ou um ataque de asma. Ou como a minha avó, que um dia me disse ter vivido grande parte da vida com o fantasma mudo de um frade franciscano no seu metro quadrado: ela andava, ele andava. E como isto lhe fazia impressão quando estava com o meu avô, não pelo meu avô mas pelo frade, que nessas alturas lhe parecia aflito, sem sítio para onde fugir nem parede para a qual se virar, obrigado aos roçares pudentes das flanelas vestidas, na cama dona maria. Aprende-se a viver com isto, e a desvalorizar os encontros, as coincidências (nas datas, nos sítios, nos nomes) e os sinais premonitórios, como a forma de algumas nuvens no céu e certos desenhos que surgem do trilho deixado pelo voo tardio das aves. Aprende-se a relevar, o amor que imaginámos na rapidez de um olhar, o embaraço que pressentimos num modo de andar ou o constrangimento que quiséramos por conta de um desejo violento. E a achar normal e previsível que o telefone não toque, as notícias não cheguem e que a vida continue apesar de. Aprende-se a viver com isto, com o teu ectoplasma quase colado à minha pele, sem teres para onde fugir nem parede para a qual te virares, quando dispo as minhas flanelas e entro na noite de rompão, fingindo que não é para ti que fico nua no escuro.

http://umamoratrevido.blogspot.com/

amei esse texto, com certeza tudo que ela diz é verdade...mas tenho certeza que tudo isso passa,até acabar precisamos viver tudo isso.quem se entrega a outra paixão tão logo acaba um romance não interioriza suas emoções,não aprende com as situações, não sabe viver sozinho ...e quem não sabe viver sozinho, não aprendeu a viver com outra pessoa também...quem não gosta de ouvir o som do silêncio e principalmente o silêncio interior, não sabe respeitar o silêncio do outro...

Quem Sou Eu? (TKM - Fogovivo)

Eu sou a curva fechada
E a voz embargada
Sou o medo da derrota
E o final da anedota
Eu sou o vento frio
Que te provoca arrepio
Sou a água fervente
na sua dor de dente
Sou a pancada que acerta
Na ferida aberta
Sou o rosnar do cão
E a briga por um pão
Eu sou o relógio parado
E um cigarro apagado
Eu sou um purgante
No frasco de adoçante
Eu sou a vergonha de viver
E a vontade de beber
Eu sou a água imunda
Onde o barco afunda
Sou a pergunta repetida
E a verdade escondida
Eu sou a bula do remédio
E um dia de tédio
Eu sou aquilo que não presta
E tudo que te resta.
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Nada (TKM - Fogovivo)

Nada supera a razão
Nem a alma, nem o coração.
Nada supera um sentimento
nem o que vejo, nem o que invento.
Nada supera a alegria
nem a flor, nem a poesia.
Nada supera a dor
nem o riso, nem o amor.
Nada supera a saudade
nem o fogo, nem a tempestade.
Nada iguala um amigo
nem o que penso, nem o que digo.

Quem sou eu

Minha foto
...sou uma mulher como todas do planeta, que merece amar e ser amada.

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