domingo, julho 13

"Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça."
"Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro."
Clarice Lispector

"Assim como solidão não precisa significar isolamento, silêncio não precisa ser um corte: Pode ser nossa melhor maneira de falar, naquele momento, com aquele interlocutor. Aí ele não compreende, e, mais uma vez, somos incomunicáveis. Calar pode ser um bom exercício para nossa mente aflita de tantas informações, paralisada entre tantas escolhas, dilacerada em transformações vertiginosas como as deste tempo nosso."
Lya Luft
Aceitar. Desapegar-se. Esquecer. Recomeçar. As mesmas promessas de sempre, (re)prometidas todos os dias.
Promessas que não se cumprem, promessas pela metade, promessas deixadas pelo caminho.
Todos os dias digo pra mim: Hoje vai ser diferente. E ao chegar o fim do dia vejo que foi mais uma promessa fracassada pelo apego excessivo ao que ficou pra trás.
Parece que estou sempre dizendo a mesma coisa, as mesmas promessas tão repetitivas, que não chegam ao fim...
É, talvez eu não passe disso: Uma 'meia' promessa!
"E eu não passo de uma promessa."
Clarice Lispector
sábado, julho 12
Hoje me decidi
Vou até o fim
Cansei de ser coadjuvante
Serei diretora
Agora em diante
Peguei o leme
do meu barco
O meu destino
Sou eu quem faço
Nada de esperar
Eu irei buscar
"Tarde demais!"?
Não aceito mais
Tenho vontade
Pra realizar
Todos os meus
Desejos e pensamentos
.
Eu posso ser e ter
O que eu quiser
Mesmo que para isso
Tenho que ir a pé
Por Camila Fernanda

Confissão
(Mário Quintana)
Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!

O amor pede identidade com diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e não é. Amar é entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega também a consciência do outro. O amor maior é por isso a morte, ou o esquecimento, ou a renúncia - os amores todos que são os absurdiandos do amor.
(...) O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.
F P, in 'O Rio da Posse'
Amar é reconhecer nos outros um ser misterioso, e não um objecto - tu eras uma vibração à tua volta, não a estreita presença de um corpo. Aqueles que não amamos nem odiamos são nítidos como uma pedra. Sentir neles uma pessoa é começar a amar ou a odiá-los. Só amamos ou odiamos quem é vivo para nós.
Vergílio Ferreira, in 'Estrela Polar'
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