domingo, julho 27


Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

M. Alegre

Sonho Acordada
Passeando contigo ... descalços
Pela nossa praia ... Nosso Mar
Procurando em cada passo
O desejo de Amar ....

Aceitação



Querido Osho,
Você poderia falar um pouco mais a respeito da aceitação?

“Chintan, eu compreendo a sua pergunta.
Chintan está à beira da morte. Os médicos lhe disseram que ele não conseguirá sobreviver mais do que dois meses, e já se passou quase um mês. Ele procurou por mim quando os médicos disseram que ele tinha um câncer que não podia ser operado e que estava crescendo rapidamente. Naturalmente, ele ficou assustado. Um jovem que ainda não tinha visto a vida, ainda não tinha vivido, estava apenas no meio... Naturalmente, ele estava muito assustado.
Ele me escreveu e eu lhe disse, ‘Não é preciso ficar assustado. Você é afortunado por saber o momento exato em que sua vida irá terminar. Os outros não são tão afortunados; eles não sabem. A vida deles poderá terminar amanhã. Você sabe exatamente que dentro de dois meses irá morrer, por isso, viva esses dois meses tão intensamente e tão alegremente e tão meditativamente quanto for possível. Você não pode adiar. Os outros podem adiar porque eles não estão conscientes de quando eles irão morrer. Você está numa situação melhor porque você não pode adiar. Você tem que fazer tudo agora.’
Ele compreendeu e tem estado muito feliz, alegre, meditando, dançando e cantando. E seus amigos têm escrito para mim. ‘Nós não conseguimos acreditar em tanta mudança. Seus médicos estão maravilhados; eles nunca viram alguém encarar a morte tão belamente, com tanta leveza.’
A pergunta dele precisava deste contexto para que vocês entendam quando ele diz, ‘Você poderia falar um pouco mais a respeito da aceitação?’
A linguagem humana é muito pobre. A palavra ‘aceitação’ traz em si uma relutância oculta. Vocês podem não ter olhado no fundo da palavra, mas quando você diz ‘aceite isso’, existe uma relutância oculta, um tipo de obrigatoriedade, porque não existe nada mais a ser feito. Assim sendo, para que fazer um estardalhaço a respeito? – aceite isso.
Esse tipo de aceitação não é verdadeiro nem autêntico. Eu diria, desfrute isso. A não ser que a sua aceitação seja um desfrute, a não ser que a sua aceitação seja com sua totalidade – sem qualquer relutância, não devido a uma coação, não devido a uma situação particular, mas devido à sua compreensão...


A aceitação se torna uma bela experiência se ela for ao mesmo tempo um desfrute. Você não está aceitando sob a pressão das circunstâncias; você está aceitando de livre e espontânea vontade, com alegria, com profundo sentimento de boas-vindas.
Somente então você compreenderá o que a aceitação pode fazer para o seu ser. Num simples momento ela pode mudar você, transformar você de um ser humano comum em um ser humano desperto. Mas não aceite com relutância. Isso é enganar a si mesmo porque no fundo você não quer aceitar. Exatamente daqui a dois meses você vai morrer? E naturalmente, quando alguém diz, aceite isso, o que mais fazer? Não há nada. Os médicos estão fazendo a quimioterapia – eles estão fazendo tudo o que é possível. Mas eles sabem que nada irá ajudar; o câncer já foi além dos limites de sua cura.
Vendo a situação, você consegue aceitá-la, mas haverá uma


negatividade dentro de você. Você está aceitando porque nada mais pode ser feito. Se houvesse alguma possibilidade a ser tentada você não aceitaria. Eu não posso chamar isso de aceitação autêntica. A aceitação autêntica não tem qualquer tom negativo nela, nenhuma relutância, nenhuma resistência, nenhuma coação. Não é devido à pressão das coisas e das situações e de sua impotência. Não aceite devido à sua impotência; aceite devido à sua força.
Dois meses é muito tempo para viver. Pode-se viver tão intensamente e totalmente em um segundo quanto vivem as pessoas por toda uma vida. Mas a vida delas é muito delgada, esticada ao longo de todo o tempo. Isso não significa que eles são afortunados, porque uma vida autêntica precisa de grande intensidade e totalidade, não uma camada delgada. Uma sobrevivência morna não é viver. Mas se você souber que no momento seguinte irá morrer, você abandonará tudo em que estava envolvido e a única prioridade será conhecer a si mesmo. Pelo menos, antes que a morte chegue, seja consciente de quem você é. Você não tem tempo para adiar.
Aconteceu que um homem costumava ir até o místico Eknath por muitos anos. Ele era um devoto, mas havia dúvidas em sua mente que continuamente o beliscavam. E porque sempre havia muitos discípulos ele não conseguia perguntar. Assim, um dia ele foi muito cedo, antes do sol nascer. Eknath estava vindo do rio. Ele tinha ido tomar um banho antes de sua meditação matinal no templo. Ele chegou até Eknath e disse, ‘Desculpe-me por perturbá-lo nesta hora, mas eu tenho carregado uma pergunta por toda minha vida.’ Ele era um jovem saudável e forte; ele disse, ‘Eu não consigo dissolver, isso continua. É uma perturbação entre eu e você.’ Eknath disse, ‘Qual é o problema?’
Ele disse, ‘O problema é que há muitos anos eu venho aqui para vê-lo, mas eu nunca o vi triste. Eu nunca o vi com raiva. Eu nunca o vi com inveja; eu nunca o vi em um estado negativo da mente. Você está sempre rindo, alegre e relaxado como se não tivesse nenhum problema ou preocupação no mundo. Você não se afeta nem mesmo com a morte. Você conduz isso tão facilmente. E o problema é que uma dúvida surge em mim: você é um ator ou realmente é iluminado? Pode-se dar um jeito de representar um sorriso, de sempre se mostrar alegre, levar tudo facilmente e nunca seriamente. Isso é apenas uma disciplina? Você fez um treinamento para isso? Ou isso é algo que aconteceu a você – é um não-fazer seu, uma compreensão natural e espontânea que cresceu a partir de suas meditações? Esse questionamento tem me preocupado, pois é possível um homem dar um jeito e fingir. Você vê os atores no cinema e sabe que eles são os mais miseráveis no mundo, mas no filme eles aparentam ser tão alegres, tão felizes, amorosos, cheios de paz, corajosos. Se é possível fazer isso no cinema e no teatro, então por que não seria possível fazer na vida real? Você precisa apenas de um pequeno controle para não demonstrar seus verdadeiros sentimentos, mas continua representando sempre.’
Eknath disse, ‘Espere um minuto. Antes de responder a sua pergunta, eu não posso me esquecer de algo que eu queria lhe dizer. Há três dias que eu venho me esquecendo, e isso é importante; assim, primeiro eu lhe direi tal coisa e depois eu responderei a sua perguntar. Há três ou quatro dias, aconteceu de eu olhar a sua mão e fiquei muito assustado. O seu tempo de vida chegou ao fim, apenas uma pequena fração permanece, de modo que você ainda viverá no máximo sete dias. No sétimo dia, quando o sol estiver se pondo, você morrerá. Eu estava me esquecendo disso, que é tão importante quanto a sua pergunta. Agora nós podemos conversar sobre a sua pergunta.’
O homem se levantou e disse, ‘Eu não tenho pergunta alguma e não tenho tempo para conversa. Se a morte está chegando em sete dias, por que eu deveria me preocupar se você é verdadeiro ou não? Isso é assunto seu; não é um problema meu.’
O homem começou a descer as escadas. Havia muitas escadas no templo, e Eknath ficou observando. Apenas cinco minutos atrás ele chegou muito forte e jovial, agora ele se vai como um velho, cambaleando, apoiando-se no corrimão, onde nunca se apoiou antes, com medo de cair. E quando ele chegou em casa, foi direto para a cama, embora não fosse a hora, era de manhã e ele tinha acabado de se levantar. Ele reuniu toda a família e contou o que Eknath lhe disse.
Era inconcebível que Eknath mentisse; não havia sentido em mentir. Então só havia choro e lamento, e o homem parou de comer. Para que comer, agora que vai morrer?
Mas uma coisa estranha começou acontecer assim que ele se conformou com a idéia de que a morte estava chegando e que nada poderia ser feito. ‘Por que não usar esse tempo para a meditação, a qual eu tenho adiado por muitos anos? Eknath diz continuamente todos os dias para meditar, para colocar energia na descoberta de si mesmo, e eu tenho adiado isso, pois, para que ter pressa? Eu sou jovem e essas coisas, meditação e autoconhecimento pertencem às pessoas velhas que já não têm mais o que fazer. De qualquer forma, eles pararam de trabalhar, se aposentaram. Esse é o tempo certo para meditar e descobrir quem você é. Neste exato momento você tem que descobrir muitas outras coisas – dinheiro, poder, prestígio, respeitabilidade. Este tempo não é para ser desperdiçado, descobrindo a si mesmo. Isso você poderá fazer a qualquer momento, quando já não tiver mais utilidade na vida, quando a vida rejeitá-lo com a aposentadoria. ‘



É estranho que em toda parte, quando as pessoas se aposentam, seus colegas se reúnem para lhes dizer um adeus e sempre lhes dão um relógio de bolso. Eu não posso acreditar nisso...Qual é a idéia? Mas agora eu sei. Eles lhe dão um relógio de bolso ‘para lembrá-lo que não resta muito tempo, para lembrá-lo de fazer agora as coisas essenciais que você tem adiado.’
O homem deitou-se e, pela primeira vez, começou a observar a sua mente. Em dois ou três dias, ficou completamente silencioso. Todos os a familiares, parentes e amigos chegavam de longe. Eles ficaram ainda mais perturbados. A morte estava chegando, isso já era um choque. Mas, o que estava acontecendo com esse


homem? Ele não abria seus olhos; ele não comia; ele não tinha interesse por nada. Este deveria ser um tempo para ele se encontrar com a família, com os amigos, pois quem sabe quando você encontrará essas pessoas de novo? Não há muita chance.
Mas ele não estava interessado em coisa alguma. Ele nem mesmo lhes permitiu chamar um médico. Pelo quarto dia, eles não podiam acreditar como ele estava com a aparência tão bela, tão cheia de graça, tão silenciosa. Todo o seu quarto tinha quase a mesma qualidade que existia ao redor de um homem de silêncio ou que existe num templo vivo, onde existem não apenas estátuas, mas a presença de algum mestre vivo.
As pessoas vinham com discursos preparados, diálogos que é preciso dizer, pois é muito embaraçoso visitar um homem que está para morrer. O que lhe dizer? Você não pode conversar sobre filmes, não pode conversar sobre política, nem sobre futebol, ou luta de box. O que existe para se falar? É muito embaraçoso se alguém está morrendo e você tem que deixar acontecer. Prepara-se então um diálogo para consolar, ‘Não se preocupe, todo mundo morre. Isso não está acontecendo apenas com você. E depois existe Deus: você foi um homem virtuoso e o céu está totalmente garantido.’
Tem que se preparar diálogos como este porque agora os assuntos mundanos que as pessoas fofocam entre si não fazem sentido. Mas, na medida em que as pessoas entravam, nem mesmo esse diálogo era possível, pois o homem estava muito silencioso. No sétimo dia, ele abriu os olhos e perguntou à sua família, ‘Quanto tempo falta para o sol se pôr?’(...)
E as pessoas diziam, ‘O sol já está quase se pondo, faltam poucos minutos.’ E ele estava mostrando tanta graça, tanta alegria, tanta felicidade, que a família não podia acreditar na metamorfose que aconteceu nesses sete dias. Todos eles sabiam que ele era um homem comum. A esposa sabia, o pai sabia, o irmão sabia que ele nada tinha de especial, mas em sete dias ele foi muito além deles.
Exatamente na hora em que o sol estava se pondo, todos começaram a chorar e se lamentar. E ele estava lhes dizendo, ‘Fiquem quietos. Não há nada com que se preocupar.’
Naquele momento, Eknath chegou. Toda a família tocou-lhe os pés e lhe disseram, ‘Salve-o Você pode fazer algo?’
Eknath disse, ‘Com a morte não existe possibilidade. Deixem-me vê-lo.’
Assim, todos eles, respeitosamente, se afastaram e deram passagem para o Eknath. O homem estava sentado silenciosamente com os olhos fechados, quase parecendo uma estátua de mármore do Goutama Buda... Apenas sete dias atrás ele era uma pessoa comum. Eknath chamou-o pelo nome e disse, ‘Eu vim vê-lo e para lhe contar que aquilo foi um dispositivo. Você não vai morrer. Você ainda tem uma vida muito longa. Você viverá quase o tanto que já viveu. Você viveu apenas metade da vida, existem muitos anos para você viver. Esta foi uma maneira de responder à sua pergunta.’
O homem disse, ‘Meu Deus, eu nunca iria pensar que isto tinha sido uma maneira de responder à minha pergunta.’
Eknath disse, ‘Não havia outro jeito. Qualquer coisa que eu tivesse respondido a você, as dúvidas iriam permanecer. Um homem que consegue, por anos, fingir que é feliz, também consegue mentir, dizendo que é iluminado. Eu queria lhe dar alguma experiência sobre isto, de que isso não era uma representação teatral. E esses sete dias lhe deram essa experiência. Você recebeu a resposta ou não?’
O homem pulou da cama e se levantou– por sete dias ele não havia deixado a cama – tocou os pés de Eknath e disse, ‘Sua compaixão é grande. Você mentiu apenas porque a sua compaixão é muito grande. Mas você respondeu à minha pergunta. Agora não existe dúvida alguma. E eu não consigo ver qualquer dúvida possível no futuro. Eu conheci o espaço no qual você tem vivido.’
Eknath disse, ‘Não interessa se você vai morrer daqui a sete dias ou daqui a setenta anos. Uma vez que você se torna consciente de que vai morrer, não interessa quando.’
A consciência da morte faz você viver a vida tão totalmente e tão alegremente quanto possível. A morte não é sua inimiga. Na verdade, ela é um convite para você viver intensamente, totalmente, para espremer e desfrutar toda gota do sumo de cada momento. A morte é um tremendo desafio e convite. Sem a morte não haveria nem Goutama Buda, nem Jesus, nem Lao Tzu, nem Tilopa. Não haveria nem Kabir, nem Raidas, nem Mansoor, nem Sarmad.
É a morte e a consciência dela que faz você viver tão totalmente, tão profundamente e tão conscientemente quanto possível. Antes que a morte bata em sua porta, você deveria ser capaz de ver a vida eterna dentro de si. Então não haveria morte alguma; a morte é uma ficção. Ela é uma realidade apenas para aqueles que não viveram, não viveram em sua completude, em sua inteireza.
Para aqueles que viveram, não existe morte.
É apenas uma mudança – apenas uma mudança de casa. (...)
O homem que conhece a si mesmo sabe que a morte é apenas uma mudança de casa. Aceitação não é a palavra certa, mas não existe outra palavra; essa é a dificuldade.
Eu diria, Chintan, desfrute!
Faça com que todos esses dias sejam uma celebração.
E se você puder fazer com que todos esses dias sejam uma celebração, irá descobrir que a morte é uma ficção. Esses dias de celebração, meditação, silêncio, alegria e amor irão criar em você a capacidade de morrer conscientemente. E aquele que morre conscientemente sabe que a morte nada mais é que uma mudança de casa. E é sempre para uma casa melhor, porque a vida sempre caminha para cima; ela é um processo evolutivo. (...)
Tudo que é, é belo. E pode ser mais belo – não há limite para a evolução. Particularmente para a consciência não há limite; ela pode ir além mesmo de Goutama Buda, além de Bodhidharma, além de todos as grandes pessoas despertas do passado, porque a consciência não tem limite. Ela é tão vasta quanto é o céu, quanto é o universo inteiro.
Chintan, aceite com alegria, com dança e canto.

Agora, uma pequena piada para que você não saia daqui com seriedade na face. Este templo acredita no riso e eu quero que todo mundo que vem aqui, quando se for, vá rindo. Mesmo no caminho, quando se lembrar, dê uma risadinha. De noite, no meio da noite, quando se lembrar – uma boa risada.
Uma boa risada é a maior das preces.

Um garotinho num piquenique afastou-se de sua família e percebeu de repente que estava perdido e a noite estava chegando. Após correr por todos os lados e gritar, num momento ele ficou muito amedrontado e ajoelhou-se para rezar com as mãos para o alto.
‘Querido Senhor,’ ele disse, ‘por favor ajude-me a encontrar minha mãe e meu pai e eu prometo que não vou mais bater em minha irmã.’
Exatamente naquele momento, um pássaro voava sobre sua cabeça e soltou uma titica justamente em suas mãos esticadas para o alto. O garoto examinou aquilo, olhou para o céu e disse, ‘Senhor, não me dê essa titica, eu realmente estou perdido.’

Todo mundo realmente está perdido. Poucos encontraram suas casas. Mas a sua peregrinação em busca de sua casa não deve ser séria, nem triste, nem pesada; ela deve ser cheia de risos, canções e danças. Se você puder encontrar a sua casa dançando e rindo, essa é a verdadeira busca. Com tristeza e seriedade é provável que você encontre algum cemitério, não a sua casa. Nós precisamos de pessoas que sejam buscadoras, mas não sérias. Esse tipo de busca, com seriedade e tristeza, não leva ninguém a lugar algum. “

OSHO – The Invitation - Cap. 18 – Pergunta 2
Tradução: Sw. Bodhi Champak



Copyright © 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.
Todos os direitos reservados

Aceite! Comece a partir do centro do seu ser. Aceite a si mesmo tal como você é. E, então, você começará a aceitar as coisas tal como são.

E com a aceitação, vem a transformação. Você nunca mais será o mesmo.

osho

sábado, julho 26


é um amor pobre aquele que se pode medir

William Shakespeare

Procure me amar quando eu menos merecer, porque é quando mais preciso.

Provérbio sueco
Imagens e Textos
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... Amar dói tanto que você fica humilde e olha de verdade para o mundo, mas ao mesmo tempo fica gigante e sente a dor da humanidade inteira.
Amar dói tanto que não dói mais, como toda dor que de tão insuportável produz anestesia própria...


Tati Bernardi

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...


Cecília Meireles

Porque você deve esperar que os outros o aprovem? Você é perfeitamente bom como você é; a aprovação de ninguém é necessária. Se você vive de aprovação, então você vive uma vida inautêntica. Você nunca vive a sua vida; você apenas vive uma vida que os outros aprovarão. Então a vida se torna falsa, pseudo, e você se torna infeliz, falsificado. Você se sente frustrado, porque a vida não tem significado. A vida só pode ter significado quando ela é real e uma vida real significa que você não está preocupado com o que os outros dizem.

osho

Você fica ocupado com o futuro e o passado e o presente vai sendo perdido – e o presente é a única existência.

O passado não existe mais e o futuro ainda não existe; ambos não existem, eles são não-existenciais.

Este exato momento, este único momento atômico, é a única existência – o aqui e agora.

osho

Olhos me buscam

Perdidos

Olhos me seguem

Pedindo

Toda minha boca

Fugindo

De qualquer tempo

Esquecido

Pelo momento

Indeciso

Meu sentimento.

Mariana Antonelli

Perceber-se aprisionado é um grande insight,

porque a partir desse momento a pessoa começa a fazer esforços para se libertar.





To feel imprizoned is a great insight, because from that moment one starts making efforts to be free.

OSHO, Teologia Mystica, # 6

O ego e o desejo



Querido Osho,
O que eu quero?

“Krishna, ninguém sabe exatamente o que quer porque ninguém está consciente nem mesmo de quem é. A questão do querer é secundária, a questão básica é: quem é você? A partir disso, as coisas poderão ser resolvidas – quais são seus desejos, suas vontades, suas ambições.
Se você é um ego, então naturalmente você quer dinheiro, poder, prestígio, quer lutar com outras pessoas, você será competitivo – ambição significa competição. Você estará continuamente pisando na garganta dos outros e eles estarão continuamente pisando na sua. Então a vida se torna aquilo que Charles Darwin disse: a sobrevivência dos mais aptos. Na verdade o uso que ele faz da expressão “os mais aptos” não é correto. Na verdade, o que ele chama de mais apto, é o mais esperto, o mais animalesco, o mais inflexível, o mais estúpido, o mais feio. Charles Darwin não diria que Buddha é o mais apto, ou Jesus, ou Sócrates. Essas pessoas seriam mortas facilmente e aqueles que os tivessem matado iriam sobreviver. Jesus não conseguiria sobreviver. Certamente, de acordo com Darwin, Jesus não é a pessoa mais apta. Poncios Pilatos é muito mais apto, está mais no caminho certo. Sócrates não era o mais apto, mas as pessoas que o envenenaram, que o condenaram à morte, eram. O uso que ele faz da expressão ‘o mais apto’ é muito infeliz.
Se você está vivendo no ego, Krishna, então a sua vida será uma luta; ela será violenta e agressiva. Você criará miséria para os outros e para si mesmo, porque a vida de conflito não consegue ser nada além disso. Assim, tudo depende de você, de quem você é. Se você está no ego, ainda pensando em si em termos de ego, então você terá uma certa qualidade fétida. Mas, se você chegou a compreender que você não é o ego, então a sua vida terá uma fragrância. Se você não conhece a si mesmo, você está vivendo na inconsciência, e uma vida de inconsciência só pode ser uma vida de equívocos. Você pode ouvir Buda, você pode me ouvir, você pode ouvir Jesus, mas você interpretará de acordo com a sua própria inconsciência – você interpretará mal.
O cristianismo é a má interpretação de Jesus, assim como o budismo é a má interpretação de Buda, assim como o jainismo é a má interpretação de Mahavira. Todas essas religiões são interpretações errôneas, distorções, porque as pessoas que seguem Buda, Mahavira, Krishna, são pessoas comuns sem consciência. O que elas fazem é preservar os escritos e matar o espírito.

Um filósofo estava caminhando ao redor de um parque e notou um homem sentado em posição de lótus, com os olhos abertos olhando para o chão. O filósofo viu que o homem estava totalmente absorvido em seu olhar fixo ao chão. Depois de observá-lo por um longo tempo, o filósofo não mais resistiu e foi até o estranho camarada perguntando, ‘O que você está procurando? O que está fazendo?’
O homem respondeu sem deslocar o seu olhar fixo, ‘Eu estou seguindo a tradição Zen de sentar silenciosamente, nada fazer e então a primavera vem e a grama cresce por si mesma. Eu estou observando a grama crescer, mas ela ainda não cresceu coisa alguma.’

Não é preciso observar a grama crescer – mas isso é o que sempre acontece. Jesus diz uma coisa e as pessoas escutam, mas elas escutam apenas as palavras e dão àquelas palavras os seus significados.



Uma mãe levou seu filhinho ao psiquiatra e por mais de três horas ela lhe contou toda a história de seu filho. O psiquiatra estava ficando cansado, cheio, mas a mulher estava tão absorvida na sua fala que nem mesmo lhe deu oportunidade de impedi-la. Uma frase seguia a outra sem qualquer intervalo.
Finalmente o psiquiatra teve que dizer,’Por favor, pare agora! Deixe-me perguntar algo ao seu filho!’
E ele perguntou ao filho, ‘Sua mãe está reclamando que você não ouve o que ela lhe diz. Você tem alguma dificuldade de audição?’
O filho disse, ‘Não. Eu não tenho dificuldade de audição – os meus ouvidos estão perfeitamente bem – mas no que se refere a escutar, você pode julgar por si mesmo. Você consegue escutar a minha mãe? Ouvir eu posso: eu tenho que ouvir. Eu estava observando-o – você estava incomodado. Não



há como não ouvir, mas escutar – pelo menos eu sou livre para escutar ou não. Se eu escuto ou não, é uma questão minha. Se ela grita comigo, ouvir é natural, mas escutar é uma questão totalmente diferente.’
Você ouviu, mas você não escutou, e todo tipo de distorção se juntou ao redor. As pessoas seguem repetindo aquelas palavras sem qualquer idéia do que elas estão repetindo.

Você me pergunta, Krishna, ‘O que eu quero?’ Eu é que devo lhe perguntar, ao invés de você me perguntar, porque depende de onde você está. Se você estiver identificado com o corpo, então o seu querer será diferente; então comida e sexo serão suas únicas vontades, seus únicos desejos. Esses são dois desejos animais, os mais baixos. Eu não os estou condenando ao chamá-los de mais baixos, eu não os estou avaliando. Lembre-se, eu estou apenas afirmando um fato: o mais baixo degrau da escada. Mas se você estiver identificado com a mente, os seus desejos serão diferentes: música, dança, poesia, e depois existem mil coisas.
O corpo é muito limitado; ele tem uma polaridade simples: comida e sexo. Ele se move como um pêndulo entre esses dois, comida e sexo, nada mais existe para ele. Mas se você está identificado com a mente, então ela tem muitas dimensões. Você pode estar interessado em filosofia, em ciência, em religião – você pode estar interessado em muitas coisas que consegue imaginar.
Se você estiver identificado com o coração, então os seus desejos serão de uma natureza ainda mais elevada, mais do que a mente. Você se tornará mais estético, mais sensitivo, mais alerta, mais amoroso.
A mente é agressiva, o coração é receptivo.
A mente é masculina, o coração é feminino.
A mente é lógica, o coração é amor.
Assim, depende de onde você está ligado: no corpo, na mente ou no coração. Esses são os três mais importantes locais nos quais a pessoa pode funcionar. Mas também existe um quarto local em você; no oriente ele é chamado de turya. Turya simplesmente significa o quarto, o transcendental. Se você está consciente de sua transcendentalidade, então todos os desejos desaparecem. Então a pessoa apenas é, sem qualquer desejo, sem nada para ser pedido, para ser atendido. Não existe futuro ou passado. Então a pessoa vive neste momento completamente satisfeita, realizada. No quarto, o seu lótus de mil-pétalas desabrocha; você se torna divino.
Você está perguntando, Krishna, ‘O que eu quero?’ Isso simplesmente mostra que você nem mesmo sabe onde está, onde você está ligado. Você terá que investigar dentro de si mesmo – e isso não é muito difícil. Se é comida e sexo que toma a maior parte de você, então eli é onde você está identificado; se é algo que diz respeito ao pensar, então é a mente; se diz respeito a sentimentos, então é o coração. E, naturalmente, Krishna, não pode ser o quarto; senão a pergunta nunca teria surgido.
Assim, ao invés de responder a você, eu gostaria de lhe perguntar onde você está. Investigue.
Eu devo lhe perguntar, ‘Onde você está? Qual o tipo de identificação? Onde você está ligado?’ Somente então as coisas podem ficar claras – e isso não é difícil. Mas acontece muitas vezes das pessoas formularem belas perguntas, particularmente os indianos, Krishna. Elas podem estar ligadas ao centro sexual delas, mas elas perguntam a respeito do samadhi. Elas perguntam, ‘O que é nirvikalpa samadhi, onde todos os pensamentos desaparecem, aquela consciência sem pensamentos? O que é isso? O que é nirbeef samadhi, o sem semente, onde mesmo as sementes para qualquer futuro estão completamente queimadas? Qual é o estado supremo onde não se necessita de retorno à terra, ao útero, as vida novamente?’ Essas são apenas perguntas tolas que eles estão formulando; eles não estão formulando as perguntas deles. Eles não estão preocupados com a verdadeira situação deles. Eles estão formulando belas perguntas, metafísicas, esotéricas, para mostrar que eles são seres da mais alta qualidade, que eles são eruditos, que eles conhecem as escrituras, que eles são buscadores, que eles não são pessoas comuns, eles são extraordinários, religiosos. Isto está conduzindo os indianos a uma bagunça cada vez maior.
É sempre bom perguntar algo que seja relevante para você ao invés de perguntar algo que não lhe diz respeito.As pessoas me perguntam se Deus existe ou não, e elas nem mesmo sabem se elas existem ou não.



Há poucos dias, Divakar Bharti, um outro indiano, perguntou-me, ‘Por que eu estou aqui?’
Divakar, você está realmente aqui? Pergunte a si mesmo, você está realmentre aqui? Eu não acho que você esteja aqui. Fisicamente, é claro que você está aqui, mas espiritualmente, na verdade, você não está aqui. A não ser que você abandone essa idéia de ser um indiano, de ser um hindu, você não conseguirá estar aqui, você não conseguirá ser parte da minha comuna. Você tem carregado todos os tipos de tolices dentro de si, e ainda está agarrado a elas.
Krishna, é sempre bom formular perguntas sobre


questões que existem de fato, porque elas podem ser de alguma ajuda para você. Se você estiver sofrendo de um resfriado comum e for ao médico perguntando sobre câncer... pois como um homem como você pode sofrer de uma coisa usual como um resfriado comum...? Todas as pessoas ordinárias sofrem de resfriado comum, por isso que ele é chamado de resfriado comum. Mas você é uma pessoa fora do comum – você não é nenhum Tom, Harry ou Dick. Você é tão especial que você tem que sofrer de alguma coisa muito especial; assim você pergunta sobre o câncer. E se o médico ajudá-lo a curar o câncer, você vai ter mais problemas – aquele tratamento não vai ser adequado para você de maneira alguma. Ele vai criar mais complicações em você porque aqueles remédios podem matá-lo, pois nada existe para a ação deles; não existe câncer em você e eles não podem ser úteis para um resfriado comum.
Na verdade, para um resfriado comum, não existe medicação. Se você tomar remédio, o resfriado comum desaparece em sete dias; se você não tomar remédio, ele desaparece em uma semana! Na verdade, ele é tão comum que a ciência médica não se preocupa com ele. Quem vai cuidar de uma coisa tão pequena? As pessoas se preocupam com a ida à lua. Quem se preocupa com pequenas questões como um resfriado comum, ou o vazamento de uma caneta-tinteiro? As canetas-tinteiro ainda vazam! As pessoas já chegaram à lua, mas ainda não foram capazes de fazer uma caneta-tinteiro com cem por cento de garantia de que não vai vazar.
Simplesmente olhe para dentro de si mesmo, Krishna. Onde exatamente está o seu problema?

Um general visitando um hospital de campanha perguntou a um dos soldados carregados na maca, ‘O que está errado com você?’
‘Senhor,’ respondeu o soldado, ‘Eu tive furúnculos.’
‘Qual tratamento você teve?’
‘Eles me esfregaram com tintura de iodo, senhor.’
‘E isso ajudou?’ perguntou o general.
“Sim, senhor!’ respondeu o soldado.
Em seguida, o general dirigiu-se ao soldado da outra cama e descobriu que o sujeito tem hemorróidas. Ele também foi esfregado com tintura de iodo; isso ajudou e ele não teve outras demandas. O general perguntou então ao terceiro soldado, ‘O que está errado com você?’
‘Senhor, eu tive as amigdalas inchadas. Esfregaram-me tintura de iodo e, sim, isso ajudou.’
‘Algo mais você gostaria?’ perguntou o preocupado general.
‘Sim, senhor!’ respondeu o soldado. ‘Eu gostaria de ter sido o primeiro a ser esfregado com a tintura.’

Primeiro você tem que ver a sua situação, onde você está; somente então você poderá dizer o que você quer. Se você estiver sendo esfregado com tintura de iodo depois daqueles dois camaradas – um que tinha furúnculos e o outro que tinha hemorróidas – e você está sofrendo apenas com amigdalas inchadas, então o problema está claro!
Investigue, olhe para o lugar exato onde você está. No que me diz respeito, todo desejo é completo desperdício, todo querer é errado. Mas se você está identificado com o corpo, eu não posso dizer isso para você, porque isso estará muito longe do seu alcance. Se você está identificado com o corpo, eu lhe direi, mude um pouco para desejos mais elevados, os desejos da mente, e depois um pouco mais alto, para os desejos do coração, e depois finalmente ao estado sem desejos.
Desejo algum jamais será satisfeito. Esta é a diferença entre a abordagem científica e a abordagem religiosa. A ciência tenta satisfazer os seus desejos e, naturalmente, a ciência tem sido bem sucedida ao fazer muitas coisas, mas o homem permanece na mesma miséria. A religião tenta acordá-lo para a grande compreensão para que você possa ver que todos os desejos intrinsecamente não conseguem ser satisfeitos.
É preciso ir além de todos os desejos e somente assim haverá contentamento. Contentamento não é o fim de um desejo, contentamento não é a satisfação do desejo; porque o desejo não pode ser satisfeito. Com o tempo, quando você chegar à satisfação do seu desejo, irá descobrir que mil e um outros desejos surgiram. Cada desejo se ramifica em muitos desejos novos. E isso acontecerá repetidas vezes e toda a sua vida será desperdiçada.
Aqueles que sabem, aqueles que vêem – os budas, os despertos – todos concordam em um ponto. Isso não é uma coisa filosófica, é factual, o fato do mundo mais interior: o contentamento acontece quando todos os desejos tiverem sido abandonados. É com a ausência de desejos que o contentamento surge dentro de você. – na ausência. Na verdade, a própria falta de desejos é contentamento, é preenchimento, é gozo, é florescimento.
Krishna, mova-se dos desejos mais baixos para os desejos mais elevados, dos desejos brutos para os desejos mais sutis, e depois para o mais sutil, porque é fácil o pulo do mais sutil para o não-desejo, para o estado sem desejo. O estado sem desejo é nirvana.
Nirvana tem dois significados. É uma das mais belas palavras; idioma algum pode orgulhar-se dessa palavra. Ela tem dois significados, mas esses dois significados são como dois lados de uma mesma moeda. Um significado é a cessação do ego e o outro significado é a cessação de todos os desejos. Isso acontece simultaneamente. O ego e os desejos estão intrinsecamente juntos, eles estão inseparavelmente juntos. No momento em que o ego morre, os desejos desaparecem, ou vice-versa: no momento em que os desejos são transcendidos, o ego é transcendido. E ser sem desejos, ser sem ego, é conhecer a felicidade suprema, é conhecer o êxtase eterno.
Krishna, sannyas é isso: a busca pelo êxtase eterno, a qual começa mas nunca termina.


OSHO – Come, Come, Yet Again Come - Cap. 4 – Pergunta 3
Tradução: Sw. Bodhi Champak



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