segunda-feira, setembro 1


Com todos os meus sentidos

Ouço muitas vozes
Mas é a tua voz que me diz
O que eu preciso ouvir

Vejo muitos olhos
Mas é o teu olhar que me faz ver


Falo muitas coisas
Mas é pra você que digo
O que tem mais sentido

Ando para muitos lados
Mas é quando eu ando em tua direção
Que faço bem a meu coração

Pronuncio muitos nomes
Mas é quando pronuncio o teu nome
Que me encontro em mim mesma


elisa maçãs

Aplausos
Pra quem nasceu pra brilhar

Aplausos
Pra quem nasceu pra batalhar
Pra quem nasceu pra montanha escalar

Aplausos
Pra quem veio pra acontecer
Pra nada nesse mundo temer
Pra superar seu próprio sofrer

Aplausos
pra quem tem força suficiente pra lutar
Pra quem a si própria sabe questionar
Pra quem não tem vergonha de chorar
Pra quem não pode parar de caminhar

Aplausos
Pra quem com raça, fé e esperança
Entende a inocência da criança
Tem a fortaleza da voz mansa
Pensa que cansou mas não se cansa
Se achando a cada dia na sua andança

Aplausos
Porque você pode cruzar a linha de chegada
Porque você tem fôlego pra uma longa caminhada
Porque você é uma guerreira por Deus iluminada
Porque você é paz, é amor, é bem-aventurada
Porque você traz com você a alegria da meninada
Porque você foi , é e será sempre muito amada

Aplausos, aplausos, aplausos sem fim
É o que pra você, vem de mim
Não teme o caminho, ele é mesmo assim
Às vezes fica com jeito meio ruim
Tem obstáculos, dificuldade e motim
Mas só está nele quem disse sim
Quem como você tem uma estrela assim.
É apenas o belo começo, de um caminho sem fim.



elisa maçãs

domingo, agosto 31


"Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."


Clarice Lispector

Sou um estrangeiro em mim,
Torno a voltar num país de sonho,
De luz e de infância
Perdido num vendaval de espumas.
Aquela voz que chamava
Já não existe mais,
Mudou-se para o desconhecido.
Estou só num mundo de lembranças
Que brotam como erva-daninha
Sempre e sempre.
Estou quieto numa morna solidão de tédio
E minha esperança é essa voz
Que ecoa sem se importar com nada.

Vem-me falar ainda uma vez!
Acalma-me neste país de solidão.
Traga-me um sopro de alento
Que morro de estar vivo.
Nesse insondável mistério de você
Que de tão perto se faz tão distante,
Pare de mostra-me que é preciso
Menos que a morte
Para me fazer morrer.



rachel dias de moraes

Foi tanta ânsia louca
De te ter dentro de mim,
Que me fiz desatar
Dessa vontade enfim.
Articulei uma lógica
Insensata e cega
De precipitar-me
Atravessando-me em ti.
Decifrei poros,
Descobri músculos,
Penetrei mistérios
Até dobrar-me
Neste frenesi.
Despertei teu rastro
Encontrando algo que
Cintila um astro
Encaixando em mim.
Arrastamo-nos um ao outro
Com a avidez de um louco
Dilatamo-nos,
Eu em ti,
Tu em mim.
E irremediavelmente
Como água limpa,
Derramo-me
Neste corpo urgente
Que sedento sela
Sua vontade em mim.



rachel dias de moraes

Vem e sacia-me
Desta fome estranha,
Que cresce e possui-me.
Vem alimentar-me
Daquilo que excede,
Que é bem maior
E que me impele a ti.
Já não me basta
Esse alimento que
Quer-se sempre mais!
Meu desejo é chama
Que arde eternamente,
Que vem de não sei onde,
Que não tem fim nem começo,
Que está aquém de mim.
Disseco-me
Arrebato-me em ti,
Que fomenta o meu desejo.
Atenda-me agora
Tirano enigmático,
Interpreta-me com seus dedos,
Com suas interrogações,
Que incendiarei para ti.




rachel dias de moraes

Eu e tu: a existência repartida

Por duas almas; duas almas numa

Só existência. Tu e eu: a vida

De duas vidas que uma só resuma.





Vida de dois, em cada um vivida,

Vida de um só vivida em dois; em suma:

A essência unida à essência, sem que alguma

Perca o ser una, sendo à outra unida.





Duplo egoísmo altruísta, a cujo enleio

No próprio coração cada qual sente

A chama que em si nutre o incêndio alheio.





Ó mistério do amor onipotente,

Que eternamente eu viva no teu seio,

E vivas no meu seio eternamente.




silva ramos

Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.


Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.


São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.


Simpatia - meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'agosto
É o que m'inspira teu rosto...
- Simpatia - é quase amor!



casimiro de abreu

As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.


Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente — claro muro
sem coisas escritas.


Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.


Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.


Fico ao teu lado.




cecilia meireles

É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.


É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.


O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.


O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.


O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.


cecilia meireles

sábado, agosto 30


Escrevo-te
ancorada na saudade,
sob o riso irônico
da ausência,
para contar-te de minha solidão
e da vontade insana
de teus beijos!

Escrevo-te
perdida no redemoinho
das lembranças
de nossos encontros fortúitos
com sabor de pecado!

Escrevo-te
para dizer-te do tamanho
do desejo
de estar contigo outra vez,
em teus braços,
transfomada em prazer!

Escrevo-te
para repetir mais uma vez
que te amo... te amo... te amo
e que sem ti não sou nada,
sem tua presença,
sou menos que ninguém!

Escrevo-te
para falar-te da luz
da esperança,
de que um dia,
seremos nós dois
outra vez!


vyrena

Amor
Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor
Estão dando corda ao relógio do mundo


Mário Quintana

Amor – pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da prórpia vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.


drummond

sexta-feira, agosto 29


" sempre que houver alternativas, tenha cuidado. não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. opte por aquilo que faz o seu coração vibrar. opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as conseqüências. "


Osho

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.


Cecília Meireles

Quem sou eu

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...sou uma mulher como todas do planeta, que merece amar e ser amada.

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