terça-feira, setembro 23


Preciso que um barco atravesse o mar
lá longe
para sair dessa cadeira
para esquecer esse computador
e ter olhos de sal
boca de peixe
e o vento frio batendo nas escamas.
Preciso que uma proa atravesse a carne
cá dentro
para andar sobre as águas
deitar nas ilhas e
olhar de longe esse prédio
essa sala
essa mulher sentada diante do computador
que bebe a branca luz eletrônica
e pensa no mar.


marina colasanti

segunda-feira, setembro 22


As asas da minh'alma estão abertas!
Podes te agasalhar no meu Carinho,
Abrigar-te de frios no meu Ninho
Com as tuas asas trêmulas, incertas.

Tu'alma lembra vastidões desertas
Onde tudo é gelado e é só espinho.
Mas na minh'alma encontrarás o Vinho
e as graças todas do Conforto certas.

Vem! Há em mim o eterno Amor imenso
Que vai tudo florindo e fecundando
E sobe aos céus como sagrado incenso.

Eis a minh'alma, as asas palpitando
Com a saudade de agitado lenço
o segredo dos longes procurando...


cruz e souza

Andas dum lado pro outro
Pela rua passeando;
Finges que não queres ver
Mas sempre me vais olhando.

É um olhar fugidio,
Olhar que dura um instante,
Mas deixa um rasto de estrelas
O doce olhar saltitante...

É esse rasto bendito
Que atraiçoa o teu olhar,
Pois é tão leve e fugaz
Que eu nem o sinto passar!

Quem tem uns olhos assim
E quer fingir o desdém,
Não pode nem um instante
Olhar os olhos d'alguém...

Por isso vai caminhando...
E se queres a muita gente
Demonstrar que me desprezas
Olha os meus olhos de frente!...


florbela espanca

domingo, setembro 21


E os caminhos da vida são tortuosos.
Não são como os trilhos
de uma estrada de ferro.
Não, a vida não corre em trilhos.
E essa é a sua beleza, sua glória,
sua poesia, a sua música –
é sempre uma surpresa.


(Osho)

auto retrato...


No retrato que me faço - traço a traço - às vezes me pinto nuvem, às vezes me pinto árvore... às vezes me pinto coisas de que nem há mais lembrança... ou coisas que não existem mas que um dia existirão... e, desta lida, em que busco - pouco a pouco - minha eterna semelhança, no final, que restará? Um desenho de criança... Corrigido por um louco!


[Mario Quintana]

Obscuro
é o teor
e o tom
do desejo
que sinto
por ti
e invade
minhas noites
e rasga
meu peito
e adentra
meu corpo
e preenche
o vazio
das horas
algozes
que vazam
lá fora
correndo
velozes
e escoam
cá dentro
tão lentas
agora.



http://www.rosanelima.blogspot.com/

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.


ferreira gullar

sábado, setembro 20


Fugaz



passagem por uma paisagem,

lugar do onde, do ontem, do quando,

quantas palavras ficaram faltando

na boca cheia de imagens.



o outro é aquele que ficou à margem,

no espanto de um pronome,

no corpo de uma brisa suave;

o outro é como uma fome

pluma à deriva, à distância, ou quase.



estranho em sua própria viagem,

garrafa com uma mensagem,

olhar durando numa flor,

sem nome, secreta, selvagem.



Desterro, água bebida num trem,

peça incompleta, festa adiada, vertigem,

a cabeça sempre em alguém,

eu outro, eu todos, ninguém.



(Rodrigo Garcia Lopes)

O sapo
virou príncipe
bateu na minha porta
me acordou com um beijo
e eu fiquei cinderela.

Há de ficar olhando o mar

e observar a vida,

sentir o vento

batendo e fazendo

a água gritar.

Há de estar sereno

e ser a própria

tranquilidade ...

que, intranquila,

atravessa a madrugada.

Há de pisar na terra molhada,

rodopiar,

mesmo em silêncio,

caminhar sem rumo.

Há de beber das cachoeiras

o vinho da magia intensa

que é perder-se no ar ...

que merece a imensidão

do espaço.



carla dias

Vim da nostalgia da noite
e do beijo das estrelas,
da carícia da brisa
sobre a ardentia do mar.
Eu vim do Amor
e da sapiência de um Deus
que deu ao meu corpo - Vida!
E à minh´alma
o encanto de ser livre!


lilia magnavita

Sorri com tranquilidade
Quando alguém te calunia.
Quem sabe o que não seria
Se ele dissesse a verdade...


Mário Quintana

sexta-feira, setembro 19


De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça. Amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.

Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
È astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.

Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,

Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.


SHAKESPEARE

Quem sou eu

Minha foto
...sou uma mulher como todas do planeta, que merece amar e ser amada.

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