sábado, agosto 29


A espécie de felicidade que me falta,
não é tanto fazer o que quero
mas não fazer o que não quero.



Jean Jacques Rousseau

Ninguém acredita em um mentiroso,
mesmo quando ele diz a verdade.


Cícero

Quando tudo nos parece dar errado
Acontecem coisas boas
Que não teriam acontecido
Se tudo tivesse dado certo.




Renato Russo

A suspeita sempre persegue a consciência culpada;
o ladrão vê em cada sombra um policial



William Shakespeare

sexta-feira, agosto 28


Só o amor e a arte tornam a existência tolerável.



William Maugham

Um dia acordarás num quarto novo
sem saber como foste para lá
e as vestes que acharás ao pé do leito
de tão estranhas te farão pasmar,

A janela abrirás, devagarinho:
Fará nevoeiro e tu nada verás…
Hás de tocar, a medo, a campainha
e, silenciosa, a porta se abrirá.

E um ser, que nunca viste, em um sorriso
triste, te abraçará com seu maior carinho
e há de dizer-te para teu assombro:

- Não te assustes de mim, que sofro a tanto!
Quero chorar – apenas – no teu ombro
e devorar teus olhos, meu amor…



Mario Quintana

quarta-feira, agosto 26


Não passa no abismo do coração

lá dentro, perdura a graça

do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima

cada vez mais, nos reduz

a um só verso e uma rima

de mãos e olhos, na luz.

O tempo é todo vestido

de amor e tempo de amar

O meu tempo e o teu

transcendem qualquer medida.

Além do amor, não há nada,

amar é o sumo da vida.

Pois só quem ama escutou

o apelo da eternidade.







Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, agosto 25


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

segunda-feira, agosto 24


"... A vida é assim, segue e verás, - a vida
é um dia de esperança, um longo poente
de incertezas cruéis, e finalmente
a grande noite estranha e dolorida...

Hoje o sol, hoje a luz, hoje contente
a estrada a percorrer suave e florida...
- amanhã, pela sombra, inutilmente
outra sombra a vagar, triste e perdida...

A vida é assim, é um dia de esperança
uma réstia de luz entre dois ramos
que a noite envolve cedo, sem tardança...

E enquanto as sombras chegam, nós, ao vê-las,
ainda somos felizes e encontramos
a saudade infinita das estrelas!..."



J. G. de Araujo Jorge

sábado, agosto 22


Penso noventa e nove vezes e nada descubro;
deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio
- e eis que a verdade se me revela.



Albert Einstein

Amar não é aceitar tudo.
Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor.



Vladimir Maiakóvski

sexta-feira, agosto 21


Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura

que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura

tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu

num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco




Mário Cesariny

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.





Fernando Pessoa

quinta-feira, agosto 20


.."Deliciosos prazeres antes do sol raiar..."

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.

E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.

Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,

Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.



Pablo Neruda

Quem sou eu

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...sou uma mulher como todas do planeta, que merece amar e ser amada.

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