segunda-feira, dezembro 8


O que falta
é o cheiro
de noites loucas
de longos êxtases
de corpos molhados
órgãos atentos
paladares sedentos.
O que sobra
é essa vontade
é essa libido
que me leva
sem sentido
ao proibido.


A PALAVRA CERTA
http://pradotonumreclama.blogspot.com/

Gosto quando me falas de ti... e vou te percorrendo
e vou descortinando a tua vida
na paisagem sem nuvens, cenário de meus desejos tranquilos


Gosto quando me falas de ti... e então percebo
que antes mesmo de chegar, me adivinhavas,
que ninguém te tocou, senão o vento
que não deixa vestígios, e se vai
desfeito em carícias vãs...

Gosto quando me falas de ti... quando aos poucos a luz
vasculha todos os cantos de sombra, e eu só te encontro
e te reencontro em teus lábios, apenas pintados,
maduros,
mas nunca mordidos antes da minha audácia.

Gosto quando me falas de ti... e muito mais adiantas
em teus olhos descampados, sem emboscadas,
e acenas a tua alma, sem dobras, como um lençol
distendido,
e descortino o teu destino, como um caminho certo, cuja primeira curva

foi o nosso encontro.

Gosto quando me falas de ti... porque percebo que te desnudas

como uma criança, sem maldade,
e que eu cheguei justamente para acordar tua vida
que se desenrola inútil como um novelo
que nos cai no chão...



( Poema de JG de Araujo Jorge do
livro "Quatro Damas" 1a ed. 1965 )

domingo, dezembro 7


"Ce parece um anjo
Só que não tem asas iaiá
Oh meu Deus quando asas tiver
Passe lá em casa"

sábado, dezembro 6


quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante


paulo leminski

Brota esta lágrima e cai,

vem de mim, mas não é minha.

Percebe-se que caminha,

sem que se saiba aonde vai.



Parece angústia espremida

de meu negro coração,

--pelos meus olhos fugida

e quebrada em minha mão.



Mas é rio, mais profundo,

sem nascimento e sem fim,

que, atravessando este mundo,

passou por dentro de mim.



(Cecília Meireles)

sexta-feira, dezembro 5


Paradoxo

A dor que abate, e punge, e nos tortura,
que julgamos às vezes não ter cura
e o destino nos deu e nos impôs,
é pequenina, é bem menor, e até
já não é dor talvez, dor já não é
dividida por dois.

A alegria que às vezes num segundo
nos dá desejos de abraçar o mundo,
e nos põe tristes, sem querer, depois,
aumenta, cresce, e bem maior se faz,
já não é alegria, é muito mais
dividida por dois.

Estranha essa aritmética da vida,
nem parece ciência, parece arte;
compreendo a dor menor, se dividida,
não entendo é aumentar nossa alegria
se essa mesma alegria
se reparte.


( Poema de JG de Araujo Jorge
do livro- Festa de Imagens – 1948)

quinta-feira, dezembro 4


"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."



clarice lispector

domingo, novembro 30


Às vezes tenho idéias felizes,

Idéias subitamente felizes, em idéias

E nas palavras em que naturalmente se despegam...

Depois de escrever, leio...

Por que escrevi isto?

Onde fui buscar isto?

De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...

Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta

Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?...



(Álvaro de Campos)

sábado, novembro 29


“… deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente…”




Caio Fernando Abreu

quarta-feira, novembro 26


Meu pensamento em febre
é uma lâmpada acesa
a incendiar a noite.

Meus desejos irrequietos,
à hora em que não há socorro,

dançam livres como libélulas
em redor do fogo.

(Hnriqueta Lisboa)

Meus olhos que por alguém
Deram lágrimas sem fim,
Já não choram por ninguém
Basta que chorem por mim.

Arrependidos e olhando
A vida como ela é,
Meus olhos vão conquistando
Mais fadiga e menos fé.

Sempre cheios de amargura!
Mas se as coisas são assim,
Chorar alguém – que loucura!
– Basta que eu chore por mim.

(Antônio Bôto )

segunda-feira, novembro 24

carolina salcides...

puxa..realmente me desculpe...deve ser terrível se inspirar, escrever um texto com tanto amor e este texto ser "reconhecido por outro"...ainda bem que é Pablo Neruda...o acho perfeito...
pode ficar tranquila que retirarei esse poema..eu imagino que poetas não tenham "sexo definido",vou te explicar...eles transcendem...deve ser ousadíssimo um homem fazer poesias como uma mulher..e ao contrário...realmente quando postei não imaginei que ele pudesse ser gay ou afim..mas que por ser tão maravilhoso,conseguisse captar a alma feminina...mas também se fosse..que problema teria?Lembremos que qualquer tipo de preconceito é crime....
que bom que suas poesias estão registradas...mas o ruim da net é que não dá pra saber isso...colhi sem nenhuma má intençao, por ser tão perfeita...mas peço infinitas desculpas pelo lapso...vou procurá-la e tirar do meu blog..ok???

Deus abençõe ricamente seus poemas, poesias...e que vce seja devidamente reconhecida...
um forte abraço..

silvana

domingo, novembro 23


Sondar a possibilidade do salto
e a profundidade do
abismo.
Formular o desenho preciso.
Vôo e queda, a mesma dimensão
e
altura.
Vôo e queda recortam no ar
a mesma figura.

Saltar de dentro
de si mesmo
Como quem pula o muro da infância,
A cerca que esconde os
pomares
do mundo e limita o corpo
e seu agreste crescimento. E
restringe
o homem e seu poder.

Saltar para o desconhecido
sem redes
sob o corpo.

O salto moral

Diante de mil trapézios oscilantes
e
luzes e o pavor dilacerante
da platéia. A comovente platéia
da
autopiedade

Saltar
para a verdade


(Celina Ferreira)

...me tire desse quarto de hotel e de todas as coisas que entram pela janela; me leve para longe das palmeiras, mais longe e perto das coisas mais macias; me faça esquecer (depressa) os homens ruins — isto é: os que gostam de cebola crua; me ensine tudo o que eu não aprendi: a cortar com a mão direita, a usar anel, a tocar piano, a desenhar uma árvore e valsar; e me lembre do que eu esqueci — raiz quadrada, (as mais ordinárias), frações, latim, geofísica e "Navio Negreiro", de Castro Alves; depois, me dê, pelo bem dos seus filhinhos, aquilo que eu não tenho há quase um ano, carinho — de um jeito que eu não sei dizer como é, mas que há, por aí ou, pelo menos, já houve; destelhe a casa, deixe a noite entrar e, juntos, vamos nos resfriar; espirre de lá, que eu espirro de cá... agora, cada um com a sua bombinha, inalação, inalação; lado a lado, sentemos, os dois de perfil para o ventilador; minhas mãos e as suas não são de ninguém, entendido?; se interesse por mim e pergunte o que eu sei, que eu quero exclamar, no mais puro francês: "oh!"..."comment allez vous"? (...) de um jeito ou de outro, me tire daqui, pra Pérsia, Sibéria, pro Clube da Chave, pra Marte, Inglaterra, sem couvert, sem couvert; está vendo o retrato dos meus 20 anos? de lá para cá, cansaço, pé chato, gordura, calvície fizeram de mim essa coisa ansiosa, insegura e com sono, que pede a você, no auge do manso: você não saia esta noite e fique, ao meu lado, esperando que o sono me tome e me mate, me salve e me leve, por amor ao teu andar, assim seja..."


antonio maria

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...sou uma mulher como todas do planeta, que merece amar e ser amada.

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