domingo, setembro 7


Tu, que não crês, nem amas, nem esperas,
espírito de eterna negação,
teu hálito gelou-me o coração
e destroçou-me d'alma as primaveras.

Atravessando regiões austeras,
cheias de noite e cava escuridão,
como num sonho mau, só ouço um "não",
que eternamente ecoa entre as esferas.

Por que suspiras, por que te lamentas,
cobarde coração? Debalde intentas
opor à sorte a queixa do egoísmo.

Deixa aos tímidos, deixa aos sonhadores,
a esperança vã, seus vãos fulgores:
sabe tu encarar, sereno, o abismo!


ANTERO DE QUENTAL

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